Na Cinemateca, a acompanhar o ciclo de cinema, uma exposição sobre a obra de Manuel Guimarães, com curadoria de Leonor Areal e pesquisa de Carlos Braga, Miguel Cardoso e Rafael Prata.
Uma antevisão em miniatura do que será a exposição no Museu do Neo-Realismo a inaugurar em 17 de Outubro.
Blogue informativo e comemorativo do centenário de nascimento do cineasta Manuel Guimarães (1915-1975)
terça-feira, 9 de junho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
HOJE: Saltimbancos, às 21h30 na Cinemateca
08-06-2015, 21h30 | Sala M. Félix Ribeiro
Manuel Guimarães – Abertura
Em colaboração com o Museu do Neo-Realismo
SALTIMBANCOS
de Manuel Guimarães
com Maria Olguim, Helga Liné, Artur Semedo, Fernando Gusmão
Portugal, 1951 - 92 min | M/12
Primeira
longa-metragem de Manuel Guimarães (também produtor), SALTIMBANCOS
marcou a diferença no cinema português do começo da década de cinquenta
relativamente às comédias "à portuguesa" que então se faziam, procurando
aproximar-se dos modelos do neorrealismo italiano, numa história
adaptada do romance O Circo, de Leão Penedo, sobre a vida e a morte de
uma companhia de saltimbancos. A apresentar em cópia resultante de um
processo de preservação de 2005.
http://www.cinemateca.pt/programacao.aspx?ciclo=490
http://www.cinemateca.pt/programacao.aspx?ciclo=490
Início da retrospectiva integral
Cinemateca e Museu do Neo-realismo homenageiam cineasta Manuel Guimarães
A Cinemateca Portuguesa vai homenagear Manuel Guimarães com uma retrospetiva integral da sua obra, a partir de hoje, iniciativa realizada em colaboração com o Museu do Neo-Realismo, no centenário do nascimento do cineasta, anunciou o Museu do Cinema.
A retrospetiva na Cinemateca antecede uma exposição no Museu do Neo-realismo, em Vila Franca de Xira, intitulada "Manuel Guimarães, sonhador indómito", que vai ser inaugurada no dia 18 de outubro, segundo o museu.A exposição, com curadoria de Leonor Areal, vai estar aberta ao público até 28 de fevereiro de 2016.
O ciclo "Rever Manuel Guimarães", na Cinemateca, permite rever o percurso do cineasta que se destacou pela aplicação dos princípios ideológicos do neorrealismo à sétima arte, da qual fazem parte os filmes "Nazaré" (1958) e "O Crime de Aldeia Velha" (1968).
A sessão de abertura está marcada para as 21:30, com a exibição de "Saltimbancos", a primeira longa-metragem de Manuel Guimarães, filme "que marcou a diferença no cinema português do começo da década de 1950, relativamente às comédias `à portuguesa` que então se faziam, procurando aproximar-se dos modelos do neorrealismo italiano", realça o comunicado.
A Cinemateca refere que Manuel Guimarães é "um dos mais incompreendidos e mais injustamente desconhecidos realizadores portugueses, cuja obra é urgente rever e redescobrir".
"Rever Manuel Guimarães" vai decorrer até ao próximo dia 30, na sala Luís de Pina, da Cinemateca Portuguesa, em Lisboa.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=776608
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=835028&tm=4&layout=121&visual=49
http://visao.sapo.pt/cinemateca-e-museu-do-neo-realismo-homenageiam-cineasta-manuel-guimaraes=f822052
CICLO Rever Manuel Guimarães
No centenário do nascimento de Manuel
Guimarães (1915-1975), a Cinemateca homenageia o realizador com uma
retrospetiva integral da sua obra, numa iniciativa realizada em
colaboração com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira / Museu do
Neo-Realismo, no contexto da exposição que ali será inaugurada a 17 de
Outubro próximo - Manuel Guimarães, Sonhador Indómito, com
curadoria de Leonor Areal - e da edição do catálogo dessa exposição que
contará com o apoio da Cinemateca. Um dos mais incompreendidos e mais
injustamente desconhecidos realizadores portugueses, a cuja obra a
Cinemateca dedicou uma primeira retrospetiva em 1997 (“Manuel Guimarães:
A Travessia do Deserto”), Manuel Guimarães é um nome incontornável na
história do cinema português e o autor de uma obra importante que é
urgente rever e redescobrir.
Manuel Guimarães acolheu nos seus filmes influências e referências das mais variadas proveniências, da literatura à pintura e, no cinema, do expressionismo alemão ao realismo poético francês, do cinema soviético ao cinema clássico americano. Os seus filmes tocam, ainda, tanto a mensagem social como o musical escapista, o neorrealismo e o fantástico, o melodrama e a comédia, a penúria de meios técnicos de uma rodagem artesanal ou a grande produção comercial experimentando novas tecnologias como o CinemaScope, a cor e o 70mm.
Nascido em 1915, em Vale Maior (Albergaria-a-Velha), estudou na Escola de Belas-Artes do Porto, mantendo ao longo de toda a vida uma ligação importante à pintura, às artes gráficas, à ilustração e ao caricaturismo. Foi assistente de realização de Manoel de Oliveira durante a rodagem de ANIKI-BOBÓ (1942) e, depois disso, trabalhou com António Lopes Ribeiro, João Moreira, Jorge Brum do Canto, Armando Miranda e Arthur Duarte. A sua primeira curta-metragem, O DESTERRADO, sobre o escultor Soares dos Reis, foi considerada o melhor documentário português de 1949 e chamou a atenção para o novo realizador. As primeiras longas-metragens – SALTIMBANCOS, NAZARÉ e VIDAS SEM RUMO (1951/52/56) – foram produzidas em condições financeiras e técnicas precárias, tendo sido extensamente mutiladas pela censura e dividido uma crítica polarizada que apenas conseguiu ver nelas um “equívoco neorrealista” ou outro “falso arranque” da desejada renovação do cinema português. Estes filmes foram, no entanto, as obras mais originais e mais arrojadas da década de cinquenta, obrigando a uma revisão urgente das interpretações que remetem esta época apenas a um período negro do cinema português ou a uma mera antecâmara da renovação do Cinema Novo na década seguinte.
Endividado e muito desmoralizado com as reações negativas aos seus primeiros filmes e esgotado após o longo período de refilmagem de VIDAS SEM RUMO a que a censura o obrigara, Manuel Guimarães abandona temporariamente o cinema, vendo-se forçado a aceitar, em 1958, a realização de A COSTUREIRINHA DA SÉ, veículo de grande espetáculo para a estrela do nacional-cançonetismo Maria de Fátima Bravo. O filme foi arrasado pela crítica, insensível ao retrato de um país em mudança que ali também se representava, e Guimarães ganha a reputação de cineasta maldito.
Anos depois, a sua carreira teria um momento de relançamento graças ao produtor António da Cunha Telles, para quem realiza O CRIME DE ALDEIA VELHA (1964), adaptação da peça homónima de Bernardo Santareno. Mas O TRIGO E O JOIO (1965), adaptação de Fernando Namora, é novamente mutilado pela censura e atacado pela crítica. Empurrado para a realização de curtas-metragens de encomenda, Manuel Guimarães dedicar-se-ia ao género com empenho, assinando para o SNI, a RTP e o produtor Ricardo Malheiro mais de uma dezena de documentários, entre os quais se destacam vários sobre o mundo da arte, como ANTÓNIO DUARTE, FERNANDO NAMORA, RESENDE (1969) ou CARTA A MESTRE DÓRDIO GOMES (1971); sobre o trabalho, como TAPETES DE VIANA DO CASTELO (1967), ou ainda TRÁFEGO E ESTIVA (1968), o primeiro filme em 70mm realizado em Portugal.
Em 1972, a comédia LOTAÇÃO ESGOTADA voltaria a penalizá-lo aos olhos do público e, sobretudo, da crítica que o acusou de insistir num género desusado numa altura em que se estreavam obras emblemáticas do cinema moderno português como UMA ABELHA NA CHUVA e O PASSADO E O PRESENTE (1971).
CÂNTICO FINAL (1975), último filme de Guimarães, adapta o romance homónimo de Vergílio Ferreira. Terminado pelo seu filho, Dórdio Guimarães, faz ressoar na vida do seu protagonista os últimos anos de Manuel Guimarães. Tocante reflexão biográfica, CÂNTICO FINAL é a súmula perfeita de uma vida norteada por um sentido ético inflexível e de uma obra desalinhada dos padrões críticos da sua época, mutilada pela censura e menosprezada pela história do cinema, mas sempre caracterizada por uma grande dignidade artística.
A sessão de abertura, com SALTIMBANCOS, tem lugar na sala M. Félix Ribeiro, às 21h30 de 8 de junho (ver entrada respetiva).
de http://www.cinemateca.pt/programacao.aspx?ciclo=492
Manuel Guimarães acolheu nos seus filmes influências e referências das mais variadas proveniências, da literatura à pintura e, no cinema, do expressionismo alemão ao realismo poético francês, do cinema soviético ao cinema clássico americano. Os seus filmes tocam, ainda, tanto a mensagem social como o musical escapista, o neorrealismo e o fantástico, o melodrama e a comédia, a penúria de meios técnicos de uma rodagem artesanal ou a grande produção comercial experimentando novas tecnologias como o CinemaScope, a cor e o 70mm.
Nascido em 1915, em Vale Maior (Albergaria-a-Velha), estudou na Escola de Belas-Artes do Porto, mantendo ao longo de toda a vida uma ligação importante à pintura, às artes gráficas, à ilustração e ao caricaturismo. Foi assistente de realização de Manoel de Oliveira durante a rodagem de ANIKI-BOBÓ (1942) e, depois disso, trabalhou com António Lopes Ribeiro, João Moreira, Jorge Brum do Canto, Armando Miranda e Arthur Duarte. A sua primeira curta-metragem, O DESTERRADO, sobre o escultor Soares dos Reis, foi considerada o melhor documentário português de 1949 e chamou a atenção para o novo realizador. As primeiras longas-metragens – SALTIMBANCOS, NAZARÉ e VIDAS SEM RUMO (1951/52/56) – foram produzidas em condições financeiras e técnicas precárias, tendo sido extensamente mutiladas pela censura e dividido uma crítica polarizada que apenas conseguiu ver nelas um “equívoco neorrealista” ou outro “falso arranque” da desejada renovação do cinema português. Estes filmes foram, no entanto, as obras mais originais e mais arrojadas da década de cinquenta, obrigando a uma revisão urgente das interpretações que remetem esta época apenas a um período negro do cinema português ou a uma mera antecâmara da renovação do Cinema Novo na década seguinte.
Endividado e muito desmoralizado com as reações negativas aos seus primeiros filmes e esgotado após o longo período de refilmagem de VIDAS SEM RUMO a que a censura o obrigara, Manuel Guimarães abandona temporariamente o cinema, vendo-se forçado a aceitar, em 1958, a realização de A COSTUREIRINHA DA SÉ, veículo de grande espetáculo para a estrela do nacional-cançonetismo Maria de Fátima Bravo. O filme foi arrasado pela crítica, insensível ao retrato de um país em mudança que ali também se representava, e Guimarães ganha a reputação de cineasta maldito.
Anos depois, a sua carreira teria um momento de relançamento graças ao produtor António da Cunha Telles, para quem realiza O CRIME DE ALDEIA VELHA (1964), adaptação da peça homónima de Bernardo Santareno. Mas O TRIGO E O JOIO (1965), adaptação de Fernando Namora, é novamente mutilado pela censura e atacado pela crítica. Empurrado para a realização de curtas-metragens de encomenda, Manuel Guimarães dedicar-se-ia ao género com empenho, assinando para o SNI, a RTP e o produtor Ricardo Malheiro mais de uma dezena de documentários, entre os quais se destacam vários sobre o mundo da arte, como ANTÓNIO DUARTE, FERNANDO NAMORA, RESENDE (1969) ou CARTA A MESTRE DÓRDIO GOMES (1971); sobre o trabalho, como TAPETES DE VIANA DO CASTELO (1967), ou ainda TRÁFEGO E ESTIVA (1968), o primeiro filme em 70mm realizado em Portugal.
Em 1972, a comédia LOTAÇÃO ESGOTADA voltaria a penalizá-lo aos olhos do público e, sobretudo, da crítica que o acusou de insistir num género desusado numa altura em que se estreavam obras emblemáticas do cinema moderno português como UMA ABELHA NA CHUVA e O PASSADO E O PRESENTE (1971).
CÂNTICO FINAL (1975), último filme de Guimarães, adapta o romance homónimo de Vergílio Ferreira. Terminado pelo seu filho, Dórdio Guimarães, faz ressoar na vida do seu protagonista os últimos anos de Manuel Guimarães. Tocante reflexão biográfica, CÂNTICO FINAL é a súmula perfeita de uma vida norteada por um sentido ético inflexível e de uma obra desalinhada dos padrões críticos da sua época, mutilada pela censura e menosprezada pela história do cinema, mas sempre caracterizada por uma grande dignidade artística.
A sessão de abertura, com SALTIMBANCOS, tem lugar na sala M. Félix Ribeiro, às 21h30 de 8 de junho (ver entrada respetiva).
de http://www.cinemateca.pt/programacao.aspx?ciclo=492
domingo, 7 de junho de 2015
Centenários de Manuel Guimarães e de Mario Monicelli assinalados na Cinemateca
Lusa -
Um português que aplicou os princípios ideológicos do neo-realismo
ao cinema; um italiano que deles se quis autonomizar e assim ajudou a
inventar a chamada "comédia à italiana"
A Cinemateca Portuguesa vai homenagear Manuel Guimarães, a partir
desta segunda-feira, com uma retrospectiva integral da sua obra, em
colaboração com o Museu do Neo-Realismo, no centenário do nascimento do
cineasta.
![]() |
| Cartaz de Os Saltimbancos DR |
O ciclo Rever Manuel Guimarães vai
permitir a reconstrução do percurso do cineasta, que se destacou pela
aplicação dos princípios ideológicos do neo-realismo à Sétima Arte,
nomeadamente a denúncia das desigualdades sociais, patente em filmes
como Nazaré (1952), com argumento de Alves Redol, Vidas Sem Rumo (1953-56), ou O Crime de Aldeia Velha (1964).
A sessão de abertura está marcada para segunda-feira, dia 8, às 21h30, com a exibição de Saltimbancos (1951),
primeira longa-metragem de Manuel Guimarães, filme "que marcou a
diferença no cinema português do começo da década de 1950, relativamente
às comédias 'à portuguesa que então se faziam, procurando aproximar-se
dos modelos do neo-realismo italiano", realça o comunicado da Cinemateca
Portuguesa - Museu do Cinema a apresentar o ciclo.Manuel Guimarães é "um dos mais incompreendidos e mais injustamente desconhecidos realizadores portugueses, cuja obra é urgente rever e redescobrir", lembra ainda a Cinemateca sobre o realizador que surge nos anos de 1950, antes da emergência do Cinema Novo da década de 1960.
Nascido na região de Albergaria-a-Velha, em 1915, Manuel Guimarães iniciou a carreira no cinema, integrado nas equipas de Manoel de Oliveira (de quem foi assistente de realização, em Aniki-Bóbó, em 1942), Brum do Canto ou Arthur Duarte, depois do curso de Pintura da Escola de Belas Artes do Porto.
Realizou o primeiro filme em 1949, a curta-metragem O Desterrado, sobre o escultor Soares dos Reis. Seguir-se-ia Saltimbancos, de 1951, que adaptava o romance de Leão Penedo. Acentuou a crítica social em Nazaré, sobre o dia-a-dia dos pescadores, e em Vidas Sem Rumo, centrado nas comunidades mais pobres de Lisboa, obras que o transformaram em alvo da censura e da ditadura do Estado Novo.
Para sobreviver, passou a dirigir filmes comerciais e reportagens de acontecimentos desportivos. Foi nesse contexto que surgiu A Costureirinha da Sé (1958), exemplar tardio da comédia "à portuguesa", já em registo de filme-opereta, filmado na zona histórica do Porto e marcado por um apurado trabalho da cor.
Na década de 1960, dirigiu O Crime da Aldeia Velha (1964), sobre a peça homónima de Bernardo Santareno, e "O Trigo e o Joio (1965), a partir do romance de Fernando Namora.
O documentário, porém, dominava a sua actividade regular: produções de arte para a RTP e filmes sobre temas como os tapetes de Viana do Castelo, o ensino das Belas Artes, o escritor Fernando Namora, o escultor António Duarte, os pintores Dórdio Gomes e Júlio Resende, ou Areia Mar – Mar Areia, já da década de 1970.
Tráfego e Estiva (1968), curta-metragem sobre Lisboa ribeirinha, com música de Carlos Paredes e narração de Luís Filipe Costa, foi o primeiro filme português rodado em 70 milímetros.
Em 1972, Manuel Guimarães ensaiaria a comédia em Lotação esgotada". Mas foi com Cântico Final (1975), a partir do romance de Vergílio Ferreira, que fez ressoar, no protagonista, os seus últimos anos de vida, como destaca a Cinemateca, na apresentação da obra. "Tocante reflexão biográfica", escreve a instituição, Cântico Final é a súmula perfeita de uma vida norteada por um sentido ético inflexível e uma obra desalinhada dos padrões críticos da sua época, mutilada pela censura e menosprezada pela história do cinema, mas sempre caracterizada por uma grande dignidade artística".
Manuel Guimarães morreu em Janeiro de 1975, aos 59 anos. A montagem de Cântico Final foi concluída por seu filho, Dórdio Guimarães.
O ciclo Rever Manuel Guimarães vai decorrer até 30 de Junho, na Sala Luís de Pina. A retrospectiva antecede a exposição Manuel Guimarães, sonhador indómito, com curadoria de Leonor Areal, que será inaugurada a 18 de Outubro no Museu do Neo-realismo, em Vila Franca de Xira, onde ficará até 28 de Fevereiro de 2016.
sábado, 6 de junho de 2015
Cântico Final (1974-75)
Em 1974, João Alves da Costa fazia um balanço da obra de Manuel Guimarães e do seu «esquecimento» pela História:
«Na história do cinema português, o nome Manuel Guimarães figura como um caso exemplar. “Saltimbancos” e “Nazaré” constituem dois significativos marcos da estética do neo-realismo. Guimarães, companheiro de geração de Redol, de Manuel da Fonseca, de Namora, de Carlos de Oliveira e de Vergílio Ferreira, foi a grande aposta de um cinema comprometido com as esperanças do homem nacional. Todavia, a História não é historicista; e, depois do apogeu, decorreram anos de (quase) esquecimento. Entretanto, a mais jovem crítica cinematográfica reclama, agora, Manuel Guimarães como figura central do movimento neo-realista. E o cineasta, sempre a caminho, fiel aos princípios que decorrem de uma convicção, vai filmar “Cântico Final”, precisamente baseado num romance de um antigo companheiro de jornada: Vergílio Ferreira» (Diário Popular, 1974).
O último filme, Cântico Final (1975), seria uma espécie de testamento estetico-político, mas Manuel Guimarães não pôde acabá-lo e a montagem foi concluída por seu filho, Dórdio Guimarães, que não soube talvez corresponder à ideia do autor; é um filme imperfeito e por isso difícil de avaliar.
Depois da morte, Guimarães é recordado por Baptista Rosa como «uma figura estranha, triste e quase envergonhada»: «Vimo-lo, com aquele sorriso triste, enfrentar as maiores dificuldades. Não ter dinheiro para comer, mas não perder o entusiasmo por um projecto no qual confiava em absoluto. E lá ia fazendo os seus filmes» (Plateia, 1975). É esta imagem do realizador esforçado mas frustrado que irá tingir - injustamente - a sua memória.
«Na história do cinema português, o nome Manuel Guimarães figura como um caso exemplar. “Saltimbancos” e “Nazaré” constituem dois significativos marcos da estética do neo-realismo. Guimarães, companheiro de geração de Redol, de Manuel da Fonseca, de Namora, de Carlos de Oliveira e de Vergílio Ferreira, foi a grande aposta de um cinema comprometido com as esperanças do homem nacional. Todavia, a História não é historicista; e, depois do apogeu, decorreram anos de (quase) esquecimento. Entretanto, a mais jovem crítica cinematográfica reclama, agora, Manuel Guimarães como figura central do movimento neo-realista. E o cineasta, sempre a caminho, fiel aos princípios que decorrem de uma convicção, vai filmar “Cântico Final”, precisamente baseado num romance de um antigo companheiro de jornada: Vergílio Ferreira» (Diário Popular, 1974).
O último filme, Cântico Final (1975), seria uma espécie de testamento estetico-político, mas Manuel Guimarães não pôde acabá-lo e a montagem foi concluída por seu filho, Dórdio Guimarães, que não soube talvez corresponder à ideia do autor; é um filme imperfeito e por isso difícil de avaliar.
Depois da morte, Guimarães é recordado por Baptista Rosa como «uma figura estranha, triste e quase envergonhada»: «Vimo-lo, com aquele sorriso triste, enfrentar as maiores dificuldades. Não ter dinheiro para comer, mas não perder o entusiasmo por um projecto no qual confiava em absoluto. E lá ia fazendo os seus filmes» (Plateia, 1975). É esta imagem do realizador esforçado mas frustrado que irá tingir - injustamente - a sua memória.
Lotação Esgotada (1972)
A sétima longa-metragem de Manuel Guimarães, Lotação Esgotada (1972), é uma sátira ao poder patriarcal e às hierarquias do poder local. Mas, no meio da torrente de filmes dos inícios de 70 e já depois de afirmada a nova vaga portuguesa, este filme parece passar um tanto desapercebido. Dirá Lauro António:
«Lotação Esgotada é uma comédia com coisas bastante interesantes e outras profundamente falhadas. O melhor que poderemos dela dizer é que se vê sem que nos envergonhemos (nós, público) e sem que o realizador saia envergonhado. Nada traz de novo, mas tenta assimilar um certo tipo de liberdades narrativas que não deixam de ser uma agradável surpresa, vindas, como vêm, de um realizador que trabalha o cinema há mais de trinta anos» ( Diário de Lisboa, 16-5-1972).
Afonso Cautela é menos benévolo e pretendia uma sátira mais actual, apontada aos “pequeno-burgueses”:
«Chegamos a lamentar que, com um pouco mais de ambição, de tempo e de métier e de liberdade na realização, Manuel Guimarães não tivesse conseguido o filme interessante que esteve a pique de conseguir, e um verdadeiro retrato da vida portuguesa ao nível dos hábitos pequeno-burgueses (...)» (A Capital, 1972).
Continua a ser flagrante e inexplicável a incompreensão que o crítico mostra em relação à acção da censura sobre a obra cinematográfica, acção repressiva que ele, como jornalista, não podia deixar de conhecer por experiência própria...
Mas é Luís de Pina que, à época, reconhece neste filme o seu valor crítico, dizendo-o «uma peça do mais puro humor negro», uma «sátira de costumes» e uma «sátira social»:
«Torna-se evidente, do ponto de vista social, a crítica ao despotismo, na figura do presidente da câmara que se acha vítima da sua própria ambição, da sua intolerância, do seu desejo de facha-
da» (Observador, 1972).
Anúncio no Diário de Lisboa, em 11-5-1972.
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