Hoje, é exibido no Teatro Miguel Franco em Leiria o filme Lotação Esgotada de Manuel Guimarães, integrado no ciclo dedicado a Miguel Franco.
"Da última fase da sua obra, concluída com CÂNTICO FINAL alguns anos
depois, este filme de Manuel Guimarães (realizador e produtor) tem
argumento e diálogos de Mário Braga a partir de uma ideia de Artur
Semedo, fotografia de Abel Escoto e música de António Victorino
d’Almeida. Trata‑se de um filme ambientado numa localidade fictícia, a
Casconha, cujo cemitério local está cheio (“lotação esgotada”) sendo a
construção do novo cemitério a grande obra do mandato do presidente da
câmara, cujo corolário, a inauguração, é retardada pela vitalidade dos
habitantes do município. Metáfora crítica da sociedade portuguesa da
época, LOTAÇÃO ESGOTADA foi um filme particular e injustamente mal
recebido na altura. Antecedem‑no as curtas‑metragens promocionais O
RITMO NA VIDA (patrocinada pelo então BESCL‑Banco Espírito Santo e
Comercial de Lisboa) e EXPRESSOS “LISBOA‑MADRID” (patrocinado pela
Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses)."
https://www.teatrojlsilva.pt/evento/lotacao-esgotada/
Excerto de Lotação Esgotada aqui: https://vimeo.com/211646582/686683ddf8
Nasci com a Trovoada - excerto 2min 50i from Leonor Areal on Vimeo.
“Nasci com a Trovoada” era um projeto de
filme autobiográfico que Manuel Guimarães não chegou a realizar, mas
que agora foi concretizado por Leonor Areal. O documentário baseia-se
integralmente em materiais de arquivo: filmes, fotografias, artigos de
jornal, cartas e diários. Manuel Guimarães é a voz de narrador que nos
conduz através da sua vida e obra. Em diálogo com fragmentos dos seus
filmes, esta “autobiografia póstuma” assume-se como uma outra ficção.
Manuel Guimarães nasceu em 1915, em
Valmaior, e foi o principal cineasta neorrealista do cinema português.
Os seus filmes revelam um olhar original sobre a sociedade portuguesa,
escolhendo personagens consideradas marginais, tais como saltimbancos,
pescadores, vadios, prostitutas, estivadores, jornaleiros. "Nelas se
espelha uma arte de sonhar, aliada a uma ética da resistência e à
capacidade de sacrifício que nunca abandona a esperança", refere a
Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha. Manuel Guimarães sofreu
amargamente às mãos da censura e viveu alguns períodos de grande
dificuldade, sobrevivendo com alguns documentários e diversos trabalhos
plásticos. A morte apanhou-o a meio da montagem do seu filme-testamento
“Cântico Final”, em 1975.
Leonor Areal estudou cinema na New York
Film Academy, com uma bolsa de estudo obtida como prémio pela obra “Há
Drama na Escola” (1993). Realizou diversos documentários, entre os quais
“Geração Feliz” (2000), “Ópera Aberta” (2004), “Doutor Estranho Amor”
(2005), “Fora da Lei” (2006), menção especial no Festival DocLisboa
2006, e “Aqui Tem Gente” (2013), prémio Melhor Documentário Português no
Festival Filmes do Homem, Melgaço 2015. É professora-adjunta convidada
na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (Instituto
Politécnico de Leiria). Atualmente desenvolve um projeto de investigação
de pósdoutoramento sobre censura no cinema português.



















